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A arte é a sublimação do engate
O artista não é quando pensa que é. Ou então é o maior, se andar no engate. Toda a gente coloca os seus berloques, como penas de pavão da alma eléctrica que as endiabria. Uns é o porsche, outros é o curso ilimitado na maior Enfermaria do mundo, outros é o dinheiro assombroso que tudo dá, ou as mulheres que interessam pela quantidade. Uns dizem que amam em demasia, outros que nunca amaram senão a amargura. Mas toda a gente que coloca as suas penas ao lustro anda a querer engatar alguém...
A arte que não seja para o engate é masturbação edonista do que tem os olhos fechados, ou com palas.
O engate artístico é o sublime aroma da volúpia abstracta, e também da confusão dos sentidos. Mas é essencialmente a sensação contínua de que aquilo que se quer engatar é uma verdadeira obra de arte.

Num fundo silencioso cai a maré.
Num intermédio.
O amor que se canta não é o meu.
O amor que se canta não é o meu.
Esdo.
Fúnebre.
E fim de todo o solitário tronco.
Se na prática tudo fosse assim estaríamos mortos.
Todos.
Nenhum sobrevivente sem metade. Ou com ela.
Nenhum sobrevivente.
Nada faríamos de amor.
Tudo pedra.
A estática maravilha não é.
Não me parece.